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Lápis cor de "pele" não existe!


Algumas vezes, uma ou outra criança começa a pintura de uma figura humana e, em dado momento, menciona que não tem o "lápis cor de pele". Pergunto a ela qual seria o tal lápis e, dependendo da criança, pega um do colega e diz: "é esse!" - normalmente, a cor do lápis mostrado varia entre o bege e o rosa.



Então, insisto em minha pergunta: "mas quem lhe disse que essa é a cor da pele?". A resposta pode ser desde a professora do ano passado até alguém da família.

Peço para a criança pegar o tal lápis "cor de pele" emprestado do seu colega e colocar sobre seu braço e sobre o dos colegas para comparar. Pergunto-lhe se a cor do lápis realmente se parece. A criança me olha e responde que não e me faz a pergunta: "então... de que cor eu pinto?".

Peço-lhe, nesse momento, que observe os colegas e verifique se todos são iguais, se têm a pele exatamente da mesma cor. Explico-lhe que o Brasil é uma mistura de povos e, que, portanto, temos pessoas com diferentes cores de pele, de formatos de olhos, de cores e texturas de cabelos muito diversos.

Parece que o diálogo gasta muito tempo, mas não leva mais do que cinco minutos. São cinco minutos preciosos para ensinar à criança que o Brasil não tem um tom de pele - tem vários! Nosso povo é marcado pela diversidade de raças e, portanto, seria necessário uma caixa com uma infinidade de tons para representar toda a beleza do colorido do nosso povo.

Aliás, a Faber Castell lançou a linha "Caras e Cores" (juro que não é propaganda!) em seus lápis de cor e outros materiais de pintura para possibilitar uma maior gama de tons que contemplasse as cores de pele do Brasil.

No entanto, extirpar o preconceito é um processo a longo prazo e é inegável que ele depende da educação. Velado ou aberto, de forma direta ou indireta, ele está presente. Eis o nosso compromisso com a geração de crianças e adolescentes que estão sob nossa responsabilidade: estimular o respeito e a tolerância às diferenças. A cor de pele não define quem somos - é o caráter!

20 de novembro - Dia da Consciência Negra - deve representar, para todos nós, pais e educadores, mais do que um dia para falar contra o racismo: deve fazer parte de um processo contínuo de formação humana em que o respeito ao outro ser humano é prioridade.


Miriam de F. P. Oliveira

Psicopedagoga

Especialista em Neuropsicologia

Especialista em Neuroeducação

Especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo

Diretora da Escola ICM

 
 
 

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